segunda-feira, 18 de setembro de 2017

General fala em intervenção se Justiça não agir contra (também ela própria?) corrupção

Imbecilidade pouca é, mesmo, bobagem. Já se dizia por aí.

O nível de ignorância e desinformação (em termos percentuais?) das pessoas é tão gritante – acho que sempre foi – que já não surpreende mais ninguém.

Isso em função do espaço que a internet e as redes sociais abriram para a livre, entre aspas, expressão, quando “tudo” vem à tona...
Clique na imagem para ampliar
Este comentário não é para o discurso reaça do tal general, que você lê  aqui, mas, é para salientar as “manifestações populares” ao seu discurso, sobre a forma de comentários no jornal (que confere na imagem).

Com certeza são ‘cidadãos/eleitores’ assim que deram o respaldo ao golpe e, pelo visto, continuam como antes desinformados e alienados da realidade vigente no país.

Já que estamos citando ditos e ditados que existem por aí: “Ignorância pouca, é, mesmo bobagem!

Em tempo.(13.00h)

Hoje o general comandante do Exercito, general Eduardo Villas Bôas, declarou que está descartada qualquer intervenção militar no país e que o Exercito é subordinado a um dos poderes, como prevê a Constituição Federal.

Confira, aqui.

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domingo, 17 de setembro de 2017

O golpe pode ser mais do que um ‘mero’ golpe... Confira!

A História se repete?

Pelo visto... Uma diferença significativa é o uso de recursos que torna tudo muito verossímil.

“Sócios” preferenciais como o que hoje se chama mídia detêm um papel fundamental no processo ao manipular, e controlar, os corações e mentes de tantos, o que parece atribuir um simulacro de legitimidade, até de legalidade, a uma exacerbação do arbítrio e do entreguismo.

Entreguismo que pode determinar o futuro, ou melhor, o não futuro, de uma população crédula e a entrega, literalmente, de um país em mãos de especuladores internacionais, fato idêntico já registrado no que chamaríamos de anais da História.
Moro e a estratégia de Washington – Muniz Bandeira
Se a grande mídia está a favor, se ela está enchendo a bola de alguém, cuide-se, melhor ficar do outro lado.

A história de Sérgio Moro, mais que um Savonarola brasileiro, como destacou o escritor Rogério Cerqueira Leite, é, na verdade, repetição, como farsa, de Silvério dos Reis, traidor que entregou os inconfidentes em Minas Gerais, para o império português levar para a Europa a riqueza da época, o ouro.

Hoje, é o petróleo.

Silvério dos Reis notabilizou-se vida afora como personagem a ser estudado para que brasileiros e brasileiras vejam quem são os vendilhões da pátria.

A grande mídia, uma dessas vendilhãns, tem, hoje, o vendilhão Moro como ícone da sua estratégia: preparar o campo para a devastação imperialista avançar.

A jogada é toda armada em Washington, como disse o historiador e politólogo, Moniz Bandeira, autor do recente “A nova desordem mundial”, em entrevista a Leite Filho, do blog “Café na Política” e da TV Comunitária.

Tio Sam está perdendo o Oriente Médio.

Putin, líder nacionalista russo, alinhou-se aos nacionalistas árabes e está botando Obama para correr da Síria.

O dólar está virando moeda podre, depois da grande crise de 2008-2009.

Não dá mais para repetir a jogada de Nixon, em 1971, quando desvinculou dólar do ouro e a moeda americana flutuou, desvalorizou-se, espalhando adoidado em empréstimos pelo mundo a juro baixo, para depois ser puxado, violentamente, em 1979, a fim de escravizar os devedores.

Superendividado, Tio Sam, hoje, está broxa; se puxar o juro, como fez, naquela ocasião, afunda-se; então, sua jogada, agora, é tomar ativo dos outros, derrubando governos nacionalistas, colocando os Temer no lugar, usando a TV Globo e afins, de modo a facilitar o assalto.

A PEC 241, essencial para destruir o mercado interno consumidor, é isso aí, desmontagem do Brasil, junto com destruição da Petrobrás; precisou de golpe para articular o grande movimento, sintonizado com Tio Sam, PSDB, STF, PMDB etc.

Como as expectativas do imperialismo, no Oriente Médio, estão em baixa, seus estrategista, diz Bandeira, voltaram-se para a América Latina, quintal americano, sob impacto de políticas nacionalistas.

Estavam em xeque as políticas do império, de exploração das riquezas regionais, sem dar nada em troca.

Lula, Dilma, Kirchner, Chavez, Correa, Moralez, Castro etc. ergueram-se, nos últimos anos, barreiras aos avanços dos interesses de Tio Sam.

Não foi possível a Washington caminhar com a Alca, transformando as indústrias regionais sul-americanas em meras maquiladoras, como aconteceu no México, que caiu na armadilha do livre comércio com Tio Sam.

O nacionalismo econômico, no Brasil, ancorou-se na Petrobras, nascida do pensamento nacionalista de Vargas.

A petroleira brasileira, sul-americana, estava avançando demais no continente.
As indústrias da região, não, apenas, do Brasil, caminhavam para se transformar em efetivas fornecedoras da estatal do petróleo.

Desenvolvimento capitalista orgânico.

Cadeia produtiva em expansão continental sinaliza potência econômica mundial, somando-se à PDVSA venezuelana.

A descoberta do pré-sal representou uma bomba para o império americano.
Como conter o gigante?

Partiu-se para a destruição da empresa por dentro, comprando os homens.

A corrupção, algo natural do capitalismo, associada ao sistema político corrupto, comandado por grandes bancos e grandes empresas, nacionais e internacionais, financiadoras dos políticos, foi erguida como inimiga central a ser combatida.

Pintou o falso moralismo característico dos canalhas, para desviarem do assunto central para o lateral, de modo a acelerar a destruição petroleira.

Precisava, para o desempenho dessa tarefa, dos profissionais do Direito.
Napoleão já dizia que o Direito é a prostituta do poder.

Faz o que ele manda.

Washington chamou o Juiz Sérgio Moro, treinou-o, em suas agências de espionagem, para ser seu pé de cabra na empresa, a fim de destruí-la.

Teve que atuar nessa linha, porque, no plano da disputa capitalista, as petroleiras americanas e internacionais jamais impediriam a Petrobras de crescer.

Ficou mais difícil ainda depois da descoberta do pré-sal, mediante tecnologia nacional.

É praxe Washington requisitar os Moros da vida; viram seus espiões que se transformam em instrumentos indispensáveis ao falso moralismo jurídico alardeado pelas tevês Globo etc.

A lógica diria que o necessário e urgente seria o poder nacional remover os corruptos e preservar as empresas.

Mas, para Washington, não; isso seria pouco. Monta-se a Operação Lava Jato. Seria necessário mais do que isso. Sérgio Moro, treinado pelos agentes americanos, cuidou da Lava Jato.

O STF entendeu essência da Lavajato e fez o jogo do império: calou-se diante dos absurdos jurídicos praticados pelo Savonarola.

Tentou-se tal jogada com o petrolão, para derrubar Lula.

Não deu certo.

O PSDB, braço de Washington, tremeu nas bases, quando o presidente operário disse que convocaria o povo para defendê-lo.

Com Dilma, em meio à crise econômica mundial, a estratégia deu certo, tendo o epicentro do golpe a petroleira estatal, o alvo a ser destruído.

Concluída a queda, desarticulada a base governista, com a traição do PMDB, maior beneficiário da corrupção dentro da empresa, enquanto aliado do PT, partiu-se para consolidar vendas de ativos da Petrobras e caçar petistas.

Moro, implacável, trabalha, juridicamente, para destruir as bases econômicas e financeiras da estatal, em seu amplo espectro de cadeia produtiva.

Afinal, ela puxa os investimentos, por meio das grandes empreiteiras nacionais, que, por sua vez, ramificam em miríade de pequenas e médias empresas.

Destruindo a Petrobras, destrói-se tudo; acelera-se, especialmente, privatização do pré-sal, joia da coroa.

Moro é a aparência que pensa ser a essência.

Despacha providências aceleradas para concluir o trabalho de desmontagem da economia.

O objetivo é claro: impedir Brasil de ser grande concorrente internacional, a partir da América do Sul, tornando-se parceiro da Rússia, da China e da Índia, nos BRICs.

Washington luta para impedir essa estratégia; fragilizaria, mais ainda, o dólar; criaria novo sistema monetário internacional; alteraria a correlação de forças; jogaria por terra a geopolítica de Tio Sam, montada a partir de 800 bases militares pelo mundo afora.

Hillary Clinton, se presidente dos EUA, entrará em cena, jogando pesado; vai querer bases de Tio Sam na América do Sul; dividir para reinar; eis o que justifica a ação do império na tarefa de cumprir o título do livro de Moniz Bandeira: “Nova desordem mundial”.

Moro, o Silvério dos Reis, é o personagem desse novo tempo, adequado aos interesses de Tio Sam.

Em SrX

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sábado, 16 de setembro de 2017

‘A profecia autocumprida’, ou como são construídas as “unanimidades” pela TV golpista

No mínimo é uma forma de se inteirar como estas técnicas de manipulação dos corações e mentes das pessoas, ou dos telespectadores, funcionam. Ninguém está a salvo, mas, uma forma de quase se vacinar contra isso é saber o que de fato ocorre no momento em que passivamente e, para muitos, lesamente, assiste aos jornais globos da vida.

Entretanto, a única forma de se vacinar, mesmo, é mudar de canal ou sair da sala de TV.

É um artigo/reflexão publicado aqui em 12/04/2015, mas que permanece atual e oportuno, embora diante de alguns fiascos tão gritantes nas hostes golpistas, a mídia associada de sempre ande posando de “mídia”, quando na medida do possível divulga – com grandes refinos editoriais, diga-se passagem – para tentar manter o telespectador/leitor fiel e submisso como sempre.

Ou alguém acredita que coisas tipo globos, vejas & Cia estariam, mesmo, fazendo jornalismo?
"A profecia autocumprida
“Contra a corrupção e o governo” era a frase mais repetida na cobertura das manifestações de domingo (15/3) na GloboNews. O professor Guilherme Nery, da Universidade Federal Fluminense, notou a insistência. Não era necessário ser estudioso do assunto, como ele, para perceber a associação semântica: governo = corrupção, e vice-versa. “É gritante a falta de responsabilidade”, concluiu.

Martelar uma ideia até que ela seja incorporada pelo público e apareça como expressão espontânea – embora, ao contrário do que se costuma pensar, nada seja, de fato, espontâneo, porque nada surge do nada –, martelar uma ideia até transformá-la em suposta expressão espontânea de uma legítima e inquestionável reivindicação é uma conhecida estratégia da propaganda, que tem a ver com o conceito de “profecia autocumprida”. O sucesso ou fracasso dependerá da predisposição do público em aceitar a ideia.

O jornalismo transformado em propaganda – esse que, segundo a própria entidade representante das grandes empresas que o produzem, anunciou que assumiria o papel que a oposição não estava conseguindo exercer – tentou essa estratégia no caso do mensalão. Não teve êxito, pelo menos não imediatamente: apesar de tudo, o PT venceu as eleições em 2010. Mas a estratégia se manteve e agora, diante do escândalo da Petrobras, finalmente parece render frutos.

Há fatores concretos para a revolta? Evidentemente sim, e não é preciso ter estômago especialmente sensível para se chegar ao limiar do vômito diante da platitude com que os envolvidos na Operação Lava Jato expõem o sistema de distribuição de propinas milionárias. Mas imaginemos como o público se comportaria se outros escândalos tivessem sido investigados: o caso Sivam, a compra de votos para o segundo mandato de Fernando Henrique, a privatização das teles, o caso Banestado...

O fio da meada

Lembrar esses episódios não significa tentar minimizar ou diluir as atuais denúncias de corrupção, no velho estilo “sou, mas quem não é?” – ou, como disse Lula quando percebeu que não poderia abafar a história do mensalão, “sempre foi assim”, inclusive porque quem votou no PT apostou na mudança. Significa oferecer argumentos para se entender por que “a pecha de corrupto pegou mesmo no PT”, como certa vez comentou um membro do governo, enquanto outros partidos posam de campeões da moralidade.

Se quisermos entender como o movimento pró-impeachment ganhou as proporções atuais, precisaremos recuar até as vésperas do segundo turno, em outubro do ano passado, quando a Veja antecipou a distribuição de sua edição semanal para uma sexta-feira e saiu com a famosa capa – pela qual foi condenada a oferecer direito de resposta – acusando Dilma e Lula de saberem “de tudo”. (“Tudo”, como se recorda, era o esquema de corrupção na Petrobras, e a denúncia se baseava em depoimento do doleiro Alberto Youssef, pelo acordo de delação premiada.)

Naquela mesma sexta-feira, o jornalista Merval Pereira, de O Globo,escreveu que, se comprovada a denúncia, “o impeachment da presidente será inevitável, caso ela seja reeleita no domingo”. Escreveu assim, no meio da coluna, como quem não quer nada, e ali plantou a semente.

O desdobramento é conhecido: no domingo seguinte, Dilma foi reeleita por pequena margem e já na segunda-feira um grupo saía às ruas de São Paulo para pedir o impeachment. Trinta pessoas: uma irrelevância que, entretanto, O Globo transformou em notícia. Ao mesmo tempo, a eleição era posta sob suspeita pelo PSDB, que ensaiou um pedido de recontagem de votos. Foi-se consolidando, entre os derrotados, o sentimento de que o governo era espúrio e precisava ser derrubado. (Por Sylvia Debossan Moretzsohn)

No Observatório da Imprensa


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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Porque ministros do interino/temer denunciados por Janot não serão afastados?

Ouvi dizer que o G1 – vulgo Globo – começou fazer terapia... É isso, já que está sendo obrigada a “cuspir no prato que comeu”, ou seja, falar mal do “próprio governo”...

É porque concluiu que apesar de prezar muito o mané da poltrona – vulgo coxinha/JN – concluiu que não pode abusar, pois, vai que o cara percebe alguma coisa...

Daí o recurso às “denúncias” e à terapia para segurar o tranco, já que coisa assim é demais pra ela.

A ‘matéria’ poderia ser resumida assim: “Se for botar chocalho em corrupto/ladrão dentro do governo, ninguém dorme”, logo, como não dá pra demitir todo mundo...

E é bom lembrar que o próprio, o dito cujo interino/temer é um deles... O chefe...
"Ministros denunciados por Janot não serão afastados, informa Planalto
Eliseu Padilha e Moreira Franco foram denunciados nesta quinta pela PGR por organização criminosa. Em fevereiro, Temer havia dito que ministros denunciados seriam afastados dos cargos; relembre.

Palácio do Planalto informou na noite desta quinta-feira (14) que os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral), denunciados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não serão afastados.

Padilha e Moreira foram denunciados por organização criminosa, assim como o presidente Michel Temer e outros peemedebistas, entre os quais os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

Em fevereiro deste ano, em meio à crise que atingia a classe política com as delações da Odebrecht, Temer convocou a imprensa para um pronunciamento no Palácio do Planalto no qual havia dito que ministros denunciados seriam afastados e os que se tornassem réus, demitidos.

"Se houver denúncia, o que significa um conjunto de provas eventualmente que possam conduzir a seu acolhimento, o ministro que estiver denunciado será afastado provisoriamente. Depois, se acolhida a denúncia e aí sim a pessoa, no caso o ministro, se transforme em réu - estou mencionando os casos da Lava Jato -, se transformando em réu, o afastamento é definitivo", afirmou Temer à época 

Por Roniara Castilhos e Guilherme Mazui, TV Globo e G1, Brasília

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A estas alturas do campeonato, o que seria mesmo o socialismo?

Confira abaixo.

É uma reflexão oportuna em meio a tanto “cacofonismo ideológico”, sobretudo da mídia de sempre ou da imprensa marrom associada aos regimes de exceção – vulgo golpes e coisas do gênero – que busca embaralhar as cartas e trazer mais confusão, que é um prato cheio para suas armações e manipulações dos corações e mentes mais desavisados.

Mais vulgarmente conhecidos como: “os da poltrona”.
"Uma visão holística do socialismo. Ou: zen socialismo
Muitos leitores, sobretudo os jovens, me perguntam o que é o socialismo que defendo. Quando “o comunismo chegar”, como é que vai ser? Os ricos vão ser mortos? O Brasil vai virar uma Cuba ou uma Coreia do Norte? Meu Iphone será confiscado? Enfim, todo tipo de pergunta. Não sou nenhuma teórica, mas vou falar aqui como eu vejo o socialismo à luz do século 21.

Em primeiro lugar, não acredito em revolução, mas em revoluções. Acho que a ideia de que a classe trabalhadora irá se levantar e tomar o poder foi superada, pelo menos em um futuro próximo - não posso falar do que pode acontecer daqui a 300 anos. No entanto, acredito ser possível revolucionar, sob inspiração socialista, vários setores da sociedade: a educação e a saúde, por exemplo. Os socialistas defendem que a educação e a saúde sejam universais. Isso significa que devem ser públicas e gratuitas. Capitalistas acham que não.

Socialistas também defendem que todos tenham acesso à terra para plantar. Por que seria necessário matar alguém para isso, se pode ser feita uma reforma agrária de maneira perfeitamente legal, pelo Congresso, tirando o excesso de terras em mãos de latifundiários e redistribuindo para quem precisa? O mundo mudou e os socialistas mudaram com ele - quem continua a matar gente é o capitalismo.

Outra revolução possível no campo seria garantir que a nossa comida não seja alvo de experimentos científicos motivados pela vontade de produzir mais para ganhar mais dinheiro, sem nenhuma preocupação com o bem-estar do ser humano. 

Capitalistas não estão nem aí para isso. Socialistas, sim.

No socialismo moderno, não enxergo a necessidade de se “eliminar” os ricos ou de “reeducá-los”, como se defendia nos primórdios. O que tem que ser feito com os ricos é fazê-los pagar os impostos que nos devem, proporcionalmente à fortuna que acumularam. Não é possível que gente bilionária pague os mesmos impostos que todo mundo. É claro que esse tipo de distorção precisa ser corrigida. Os ricos do Brasil pagam menos imposto até mesmo que os ricos de outros países. Quem você acha que está interessado em acabar com essa injustiça? Os capitalistas é que não.

Um lado hilário do capitalismo é que eles pregam a menor intervenção possível do Estado na economia, mas é só o sistema entrar em crise que os bancos recorrem ao Estado. Ou seja, o Estado só pode socorrer o capital financeiro, justamente quem precisa de menos ajuda, enquanto os pobres ficam à míngua… No socialismo em que acredito, o Estado continuaria a ter um papel forte e as riquezas do País continuariam a ser públicas. Para que privatizar empresas públicas que estão indo bem? Agora, é possível ser empresário e socialista? Por que não? Tudo depende da forma como você vê seu negócio, como trata seus empregados, o meio ambiente, e se seu único norte é acumular capital. Mais-valia obviamente continua sendo coisa de capitalista.

Não acho que o socialismo um dia vencerá e o capitalismo acabará. Infelizmente. Acredito mais numa convivência (não exatamente pacífica) entre capitalismo e socialismo. Uma hora um estará em cima e o outro embaixo, como o Yin e o Yang do taoísmo. O socialismo surgiu no século 19 como oposição ao massacre que o capitalismo impingia aos trabalhadores, principalmente mulheres e crianças. O que seria do mundo se o socialismo não tivesse aparecido? As pessoas estariam trabalhando de 14 a 16 horas por dia e morrendo antes de chegar aos 40 anos, de exaustão e doenças. A fome, a desigualdade e a miséria seriam muito maiores, porque os capitalistas são incapazes de enxergar falhas em seu sistema brutal. As modificações que vieram são resultado da luta dos socialistas. Se houvesse bons capitalistas, deveriam se sentir até gratos.

Assim como a noite chega após o dia e o dia chega após a noite, essa queda-de-braço nunca terá fim. Para desespero do capitalismo, ainda que não esteja em posição de mando, o socialismo sempre existirá como objeção às vilezas inerentes ao sistema que defendem. Ação e reação. Quem mais apontaria os defeitos do capitalismo senão o socialismo? Ocasionalmente, políticos socialistas ganharão o poder pelo voto em diversas partes do planeta e cada vez que não se saírem bem no governo, serão derrotados pelo capitalismo. O que não é exatamente negativo: é bom para o socialismo quando ele se submete à autocrítica, coisa que o capitalismo desconhece.

Ser socialista, para mim, não significa necessariamente estar ligado a um partido político que se diz socialista. Nem mesmo alcançar o poder, mas atuar como uma consciência coletiva ainda que fora dele, um contrapeso na busca por mais equilíbrio no mundo. Não é, portanto, um regime de governo, mas uma forma de ver o mundo oposta à sociedade de consumo que tanto os capitalistas endeusam. Oposta à exploração do homem pelo homem para obter lucro. Nenhum muro derrubado é capaz de modificar o fato de que existem injustiças no capitalismo. E, enquanto elas existirem, haverá uma força inversa defendendo que outro mundo é possível, sem se curvar e aceitar as crueldades do sistema como gado. Não somos gado. Rebelar-se contra as injustiças faz parte da natureza humana.

Não acredito em socialismo sem liberdade. Acho que socialismo e liberdade são sinônimos e a principal razão pela qual as experiências de socialismo real fracassaram foi a confusão que fizeram entre socialismo e falta de democracia os homens, não a ideia em si. Um governo socialista teria, ao contrário, o máximo de participação popular, democracia direta. Acho que a “ditadura do proletariado” (na acepção que o termo ganhou popularmente, porque na teoria não há nada sobre cerceamento de liberdades, pelo contrário) é um conceito que está claramente datado, porque o mundo mostrou não gostar de ditaduras.

Por outro lado, adoro a revolta do proletariado. Acredito nela como força motora de mudanças na sociedade e como conscientizadora do lugar que ocupamos no mundo. De onde você vem? Você quer estar do lado de quem o oprimiu ou dos que foram oprimidos junto com você? A luta de classes, que fazem muitos torcerem o nariz como se fosse a causa da violência, é, na verdade, o que nos impulsiona para evoluir, ascender. A raiva que sinto por tão poucos terem tanto e tantos não terem nada é o que me faz sentir vontade de progredir e desejar que outros progridam.

Nisso os capitalistas estão certos: a competição é algo natural. Deveriam entender que a luta de classes também é competição.

Meu socialismo é, digamos, zen. Vou colocando meu grãozinho de areia contra o capitalismo e assim vamos crescendo e ganhando batalhas. Não precisa ser de uma vez como se pensou antes, pode ser aos pouquinhos. Quando disserem a você que o socialismo acabou, tenha a certeza de que fazem isso apenas para atirá-lo no conformismo. Porque sabem que socialistas não se conformam, não perdem a capacidade se indignar e não abandonam nunca a boa luta.

Publicado em 6 de maio de 2014

Por Cynara Menezes Em Blog

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domingo, 13 de agosto de 2017

Quiproquó político em entrega do Premio Camões mostra face do governo interino

Quiproquó político em entrega do Prêmio Camões – Brasil e Portugal – ao escritor Raduan Nassar com um dos ‘ícones’ do governo interino tentando espinafrar e desqualificar o premiado.

O fato aconteceu no princípio do ano (17/02/17), mas ilustra um pouco da natureza dos colaboradores deste estado de coisa que se implantou no país.

É bom lembrar que a premiação é binacional e, com certeza, os critérios utilizados na escolha do agraciado não passam pelo viés político/ideológico.
Se não viu, confira!
“Raduan Nassar: 'Vivemos tempos sombrios'
Vivemos tempos sombrios, muito sombrios: invasão na sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo; invasão na Escola Nacional Florestan Fernandes; invasão nas escolas de ensino médio em muitos estados; a prisão de Guilherme Boulos, membro da Coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto; violência contra a oposição democrática ao manifestar-se na rua. Episódios todos perpetrados por Alexandre de Moraes.

(...)

Os fatos mencionados configuram por extensão todo um governo repressor: contra o trabalhador, contra aposentadorias criteriosas, contra universidades federais de ensino gratuito, contra a diplomacia ativa e altiva de Celso Amorim. Governo atrelado por sinal ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração da riqueza, o que vem desgraçando os pobres do mundo inteiro.

(...)

O escritor Raduan Nassar, autor de Lavoura Arcaica, recebeu nesta sexta-feira (17/02) o Prêmio Camões, concedido pelos governos de Brasil e Portugal e um dos principais reconhecimentos da literatura em língua portuguesa. Após o discurso do escritor, o ministro da Cultura do governo Michel Temer, Roberto Freire, se irritou e criticou Nassar, chamando-o de "histriônico" e dizendo que "quem dá prêmio a adversário político não é a ditadura". Freire chegou a sugerir que o escritor deveria ter recusado o prêmio. Durante sua fala, o ministro foi vaiado e ouviu gritos de "Fora, Temer!". 

   Leia, abaixo, a íntegra do discurso de Nassar:

Excelentíssimo Senhor Embaixador de Portugal, Dr. Jorge Cabral.

Senhor Dr. Roberto Freire, Ministro da Cultura do governo em exercício.

Senhora Helena Severo, Presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

Professor Jorge Schwartz, Diretor do Museu Lasar Segall.

Saudações a todos os convidados.

Tive dificuldade para entender o Prêmio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri. De todo modo, uma honraria a um brasileiro ter sido contemplado no berço de nossa língua. 

Estive em Portugal em 1976, fascinado pelo país, resplandecente desde a Revolução dos Cravos no ano anterior. Além de amigos portugueses, fui sempre carinhosamente acolhido pela imprensa, escritores e meios acadêmicos lusitanos.

Portanto, Sr. Embaixador, muito obrigado a Portugal.

Infelizmente, nada é tão azul no nosso Brasil.

Vivemos tempos sombrios, muito sombrios: invasão na sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo; invasão na Escola Nacional Florestan Fernandes; invasão nas escolas de ensino médio em muitos estados; a prisão de Guilherme Boulos, membro da Coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto; violência contra a oposição democrática ao manifestar-se na rua. Episódios todos perpetrados por Alexandre de Moraes.

Com curriculum mais amplo de truculência, Moraes propiciou também, por omissão, as tragédias nos presídios de Manaus e Roraima. Prima inclusive por uma incontinência verbal assustadora, de um partidarismo exacerbado, há vídeo, atestando a virulência da sua fala. E é esta figura exótica a indicada agora para o Supremo Tribunal Federal.

Os fatos mencionados configuram por extensão todo um governo repressor: contra o trabalhador, contra aposentadorias criteriosas, contra universidades federais de ensino gratuito, contra a diplomacia ativa e altiva de Celso Amorim. Governo atrelado por sinal ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração da riqueza, o que vem desgraçando os pobres do mundo inteiro.

Mesmo de exceção, o governo que está aí foi posto, e continua amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal.

Prova da sustentação do governo em exercício aconteceu há três dias, quando o ministro Celso de Mello, com suas intervenções enfadonhas, acolheu o pleito de Moreira Franco. Citado 34 vezes numa única delação, o ministro Celso de Mello garantiu, com foro privilegiado, a blindagem ao alcunhado “Angorá”. E acrescentou um elogio superlativo a um de seus pares, o ministro Gilmar Mendes, por ter barrado Lula para a Casa Civil, no governo Dilma. Dois pesos e duas medidas.

É esse o Supremo que temos, ressalvadas poucas exceções. Coerente com seu passado à época do regime militar, o mesmo Supremo propiciou a reversão da nossa democracia: não impediu que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados e réu na Corte, instaurasse o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Íntegra, eleita pelo voto popular, Dilma foi afastada definitivamente no Senado.

O golpe estava consumado!

Não há como ficar calado.

Obrigado.

Raduan Nassar


(Publicado originalmente em Carta Capital)

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Silêncio da rua contra Temer não é condescendência, mas perda de fé no país... Seria o seu caso?


E aí, você se colocaria em um quadro/diagnóstico assim?

O silencio/inércia seria, mesmo, sinônimo de perda de fé, desencanto ou teria traços de condescendência, ou até aprovação, mesmo que pontual?

Para quem “olha de fora” deve ser difícil entender como tanta agente “olha” impassível a destruição/venda de um país assim... Não acha?

Será se teria algo a ver, também, com a postura dessas fontes de informações usual/preferenciais – que continuam as mesmas – que fazem o “teatrinho de mídia” para não perderem audiência/credibilidade dos aficionados de sempre?

Ou falando em uma linguagem mais... Como poderia dizer? Mais chula? Para continuarem a enganar os trouxas de sempre?

É, vamos ver o que acontece... Se vai sobrar “Brasil que se preze” depois disso tudo...
"Silêncio da rua contra Temer não é condescendência, mas perda de fé no país
O governo Temer comemora que as ruas não estejam coalhadas de gente pedindo sua cabeça, tal qual ocorreu com Dilma Rousseff. De forma cínica, seus apoiadores afirmam que isso é uma prova de que a população entende que ele tem agido corretamente para tirar o país da crise e confiam em sua honestidade.

Ao mesmo tempo, uma pesquisa CNI/Ibope aponta que Temer, com seus 5% de aprovação, conseguiu a proeza de estar abaixo dos pisos atingidos por Collor (12%), Dilma (9%) e até Sarney (7%).

O silêncio na rua, quebrado aqui e ali por manifestações ligadas a movimentos e sindicatos, não significa que a insatisfação não esteja no ar. Mas que há uma sensação de desalento generalizado.

Quem apoiou a saída de Dilma, seja por conta das denúncias de corrupção em seu governo ou pelo desgosto com a grave situação econômica que ele ajudou a construir, agora sente desalento ao perceber que saiu da frigideira para cair direto no fogo. Talvez haja felicidade entre quem professa o antipetismo pelo antipetismo, mas este texto não trata de patologias.

Quem não apoiou e protestou contra sente impotência diante da profusão de denúncias de corrupção decorrentes do fisiologismo a céu aberto do atual governo e sua relação incestuosa com o Congresso Nacional. E com a aprovação de uma agenda de desmonte da proteção social, trabalhista e ambiental, que não foi chancelada pela população através de eleições.

Quem não foi às ruas nem para apoiar a queda de Dilma, nem para defendê-la, grupo que representa a maioria da população, e assistiu bestializado pela TV ao impeachment, segue onde sempre esteve: sentindo que o país não lhe pertence. Entende que as coisas vão piorando e, quando bandidos não retiram o pouco que eles têm, o Estado faz isso. Seja roubando suas aposentadorias, seja violentando-os nas periferias de todo o país.

A falta de gente nas ruas é um sinal que diz mais sobre o sentimento geral do país do que sobre a capacidade de engajamento de movimentos contrários ao atual governo. Mesmo que contasse com o apoio do poder econômico, que financiou e divulgou manifestações pró-impeachment, a rua não atrairia tanta gente. E não apenas porque o momento catártico passou e agora a população, cansada, se retraiu. Mas porque, para muita gente, simplesmente não vale a pena.

A manutenção de um governo cuja legitimidade, honestidade e competência são questionados seria suficiente para levar o país às ruas. Contudo, a sensação é de que boa parte da população, aturdida com tudo o que foi descrito acima, está deixando de acreditar na coletividade e buscando construir sua vida tirando o Estado da equação. O que deixa o Estado livre para continuar servindo à velha política e a uma parte do poder econômico.

O Brasil está cozinhando sua insatisfação em desalento, impotência, desgosto e cinismo. Isso não estoura em manifestações com milhões nas ruas, mas gera uma bomba-relógio que vai explodir invariavelmente em algum momento, ferindo de morte a democracia.

Quando o impeachment foi aprovado, um dos receios era o esgarçamento institucional que a retirada de uma presidente eleita pelo voto popular por um motivo frágil (pedaladas fiscais) em vez de um caminho mais sólido (cassação da chapa por caixa 2) poderia causar. Infelizmente, o esgarçamento aconteceu.

Vivemos um momento em que a sensação é de desrespeito a regras e normas, principalmente por parte do governo e de parlamentares, é amplo.

Deixar de confiar na política como arena para a solução dos problemas cotidianos é equivalente a abandonar o diálogo visando à construção coletiva. Caídas em descrença, instituições levam décadas para se reerguer – quando conseguem. No meio desse vácuo, vai surgindo a oportunidade para semoventes que se consideram acima das leis se apresentarem como a saída para os nossos problemas. Pessoas que prometerão ser uma luz na escuridão, mas nos guiarão direto para as trevas.

Ou seja, talvez o tempo da indignação já tenha passado para muita gente. E, por não ter produzido frutos, abriu caminho para a desconstrução daquilo que três décadas de democracia ergueram por aqui.

É triste, mas talvez o principal legado do governo Temer será um não-país.


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